Em março, celebramos o dia internacional da mulher. Cabe sempre propormos uma reflexão sobre as condições de trabalho e o suporte específico às colaboradoras que é oferecido no escritório.

Publicamos essa semana uma tradução livre de um artigo publicado na revista americana “Architect” pela arquiteta Murrye Bernard. O texto apresenta diretrizes de projeto para “salas para de amamentação” apropriadas.

Boa leitura!

Empresas com salas de amamentação ou “mother’s rooms” bem mobiliadas, permitem às novas mães cuidar de sua família sem sacrificar as metas de carreira.

Para as novas mães que retornam ao trabalho, a amamentação é um assunto tenso. Se elas decidirem por amamentar o bebê, também devem descobrir a logística para fazer enquanto trabalham. As mulheres representam quase metade da força de trabalho dos EUA*. De acordo com o Relatório de Aleitamento Materno de 2016, mais de 80% das mães tentam amamentar seus recém-nascidos. Para os bebês colherem os maiores benefícios à saúde, a Academia Americana de Pediatria recomenda que as mães planejem amamentar por pelo menos um ano. Nos Estados Unidos, a falta de uma lei nacional de licença maternidade, significa que muitas mulheres costumam voltar ao trabalho dentro de 12 semanas após o parto.

“Se você está se perguntando por que as mulheres que têm bebês parecem ter dormido, é porque não dormiram”, diz Liz York, diretora de sustentabilidade do CDC, em Atlanta. York, mãe de três filhos, também escreveu vários artigos sobre as melhores práticas de design de salas de lactação para a AIA.

As salas dedicadas à lactação, devem ser ambientes confortáveis, privados e acessíveis que permitam aos funcionários retirar o leite com bombas duas ou três vezes por dia. A instalação também deve ter suporte para refrigerar e armazenar leite e lavar garrafas e outros equipamentos de bombeamento.

Práticas recomendadas para o design da sala de lactação

Embora a importância da amamentação tenha sido evidenciada nas últimas décadas, “ainda está fora do radar para muitas pessoas”, diz Kathryn Anthony, professora da Escola de Arquitetura da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. “Muitas vezes encontro pessoas que ficam surpresas ao saber que as mães que amamentam precisam extrair o leite mesmo quando seus filhos não estão com elas.”

Embora muitos empregadores tenham boas intenções, eles não são necessariamente versados ​​nas necessidades de novas mães. Apesar de alguns regulamentos e da disponibilidade das diretrizes de design, algumas empresas ainda cortam os cantos ao designar armários, chuveiros e banheiros com box único como salas de lactação. “Por que não perguntar ao seu chefe: ‘Como você gostaria de almoçar enquanto está sentado no vaso sanitário?'”, Anthony sugere uma resposta.

“Eu disse a mim mesma: ‘As mulheres que estão voltando ao trabalho têm tão pouco espaço, que não podem se defender'”, lembra York. Ela prometeu a si mesma que se tornaria essa advogada. Em 2006, ela enviou as diretrizes da sala de lactação como um artigo da AIA Best Practice, que ela já atualizou várias vezes.

Com base nos números do censo, entre outros fatores, o guia de Melhores Práticas da AIA de York sugere uma sala para cada 100 funcionárias. Uma sala de 15 metros quadrados pode atender às diretrizes de acessibilidade se acomodar um raio de giro de 1,5 metro. As comodidades mínimas incluem uma mesa, cadeira, pia e geladeira. A mesa ou a superfície de trabalho deve ter pelo menos 30 cm de profundidade para acomodar garrafas, equipamentos de bombeamento e espaço para laptops – muitas mulheres continuam trabalhando enquanto extraem o leite. Enquanto alguns podem supor que uma confortável poltrona é desejável, uma cadeira de escritório ajustável e com rodízios é melhor.

Outros itens essenciais da sala de lactação incluem tomadas elétricas para a bomba e laptop, um forno de micro-ondas para esterilizar o equipamento da bomba, uma pia funda para lavar garrafas e peças da bomba e uma geladeira para armazenamento de leite. As geladeiras sob o balcão podem ajudar a economizar espaço, mas devem estar situadas para não invadir o espaço dos joelhos, abaixo das áreas de trabalho.

Os arquitetos devem especificar um termostato separado para que a sala mantenha uma temperatura confortável para os ocupantes. As salas de lactação também devem ser bem iluminadas, com iluminação ambiente uniforme e luzes de tarefas acima da pia e da área de trabalho. Se a sala tiver janelas, elas devem ser equipadas com persianas ou vidro opaco.

A acústica é outro fator importante. As bombas de mama elétricas podem ser barulhentas. Partições de altura total com isolamento suficiente e uma classificação mínima de STC (classe de transmissão de som) de 45 podem ajudar a atenuar o volume. O piso de carpete e os painéis de parede de tecido também ajudam a reduzir ecos e criar um ambiente relaxante.

Por último, mas não menos importante, as salas de lactação, como York e muitas outras mães trabalhadoras podem atestar, devem ter uma fechadura sólida com um indicador de ocupação.

Sua empresa, oferece suporte às mães para extração de leite durante o expediente de trabalho? Existe uma política de acolhimento às mães no regresso da licença?

*(também no Brasil, sendo 43,7% dos trabalhadores segundo Pesquisa PNAD 2018)

Fontes:

https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101694_informativo.pdf

https://www.architectmagazine.com/practice/priming-the-pump-lactation-room-design-guidelines_o

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