Passamos por um momento muito específico. Acredito que este choque cultural gerado pelo distanciamento social, cria um movimento pendular quanto à relação trabalho integralmente remoto e trabalho inteiramente presencial.

As ferramentas tecnológicas e o acesso à internet banda larga vinham trazendo nosso pêndulo mais ao centro desse curso evolutivo, o que foi bruscamente alterado pelo COVID-19.

Segundo a matéria publicada pela BBC e escrita por Christine Ro em 30 de agosto de 2020, as empresas estão olhando para o futuro pós-Covid e para muitas delas, a previsão é um modelo que combina Home Office e a rotina de escritório.

Segundo a publicação, uma pesquisa de maio mostrou que 55% dos trabalhadores americanos desejam um mix de trabalho em casa e escritório. No Reino Unido, as empresas esperam que a proporção de trabalhadores domésticos regulares dobre, de 18% antes da pandemia para 37% após a pandemia. Na China, a especialista em empregos Alicia Tung previu que em 10 anos, haverá uma divisão 60/40 de trabalho no local / remoto.

É compreensível que os trabalhadores estejam “usufruindo” do trabalho em Home Office, enquanto uma novidade que reduz os desgastes de deslocamento e permite a proximidade com a família.

A matéria apresenta que, por enquanto, as empresas estão gerenciando de formas variadas. Alguns deram permissão aos funcionários para continuarem trabalhando remotamente até pelo menos 2021. Outros trouxeram os funcionários de volta ao local de trabalho em horários diferentes e em grupos escalonados. Outros ainda estão deixando inteiramente a cargo de cada trabalhador decidir onde trabalhar.

Mas as empresas em todo o mundo também estão começando a pensar no longo prazo, incluindo formas alternativas de estruturar a comunicação e os horários de trabalho, bem como a presença física. E o que muitos estão convergindo em meio à incerteza contínua, diz Marco Minervini, pesquisador de design organizacional da escola de negócios INSEAD em Cingapura, são diferentes modelos de trabalho híbrido: combinar trabalho remoto com trabalho de escritório.

Um ponto crítico nesse momento é a necessidade de manter as crianças em casa, num modelo de ensino à distância um tanto revestido com o Home Schooling*.

Pais e mães que estão em Home Office, alternando tarefas profissionais com a tutoria e acompanhamento dos filhos em rotina escolar, deixa as coisas menos favoráveis numa perspectiva de trabalho de casa perene.

Enquanto a rotina escolar não voltar à normalidade, este fator afetará uma parcela dos colaboradores, reduzindo sua disponibilidade e afetando a produtividade.

Para Christine, embora “híbrido” seja a chave para entender o futuro mais flexível do trabalho, ele abrange muitos sistemas possíveis. “O trabalho híbrido tende a incluir mais liberdade sobre quando e onde trabalhar. Geralmente, concede mais autonomia aos funcionários para ajustar o trabalho ao resto de suas vidas, em vez de estruturar outras partes do dia da semana em torno das horas registradas em um escritório. Idealmente, é o melhor dos dois mundos: estrutura e sociabilidade de um lado, e independência e flexibilidade do outro.

Um procedimento comum das empresas híbridas existentes, acelerado desde o início da pandemia, é definir certos dias para reuniões no escritório, e dias em home office para atividades que exijam foco e concentração individual”.

mulher trabalhando de casa
imagem de freepik.com

A pandemia chamou a atenção para as disparidades entre aqueles que têm permissão para trabalhar remotamente, incluindo a qualidade irregular do acesso à Internet; as demandas de paternidade e cuidados; e o luxo de casas espaçosas e espaço ao ar livre que tornam confortável trabalhar em casa. Os que estão espremidos em apartamentos superlotados podem não gostar de ter que trabalhar em casa durante a maior parte da semana.

Também há a questão da personalidade. Pessoas que apreciam uma rotina fixa, por exemplo, podem ter dificuldade para alternar entre os ambientes de trabalho.

Equipes parcialmente distribuídas também costumam relatar problemas de comunicação. O conflito é mais provável com a comunicação digital, em parte porque as inibições sociais são mais poderosas quando se trabalha cara a cara. E a falta de identidade social compartilhada, mais comum em equipes parcialmente distribuídas, pode prejudicar a eficácia e o desempenho da equipe, ao prejudicar a confiança e o espírito de equipe.

Ainda há muitas dúvidas acerca dos próximos capítulos dessa história, mas certamente ainda há um curso pendular a ser percorrido em que não haverá somente o trabalhador remoto, como também não haverá somente o trabalho presencial.

Como está sua rotina? Sua empresa já sinalizou como será o retorno ao escritório, caso isso já seja indicado?

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https://www.bbc.com/worklife/article/20200824-why-the-future-of-work-might-be-hybrid

*https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/homeschooling.htm

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